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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Entenda a crise financeira

Unknown   at  11:50  Sem comentário

Todos os dias ouvimos falar nas conseqüências da crise financeira mundial. Mas nem todos sabem ou se recordam como ela começou.
A crise teve início nos Estados Unidos com o crescimento do mercado de imóveis, em meados de 2001. Com a crise das empresas pontocom ou dotcom o mercado de imóveis se aqueceu e o FED (Federal Reserv – Banco Central Americano) resolveu baixar os juros para que as pessoas passassem a financiar e fazer empréstimos. A iniciativa deu certo.
O mercado imobiliário viu que o financiamento era uma boa maneira de ganhar dinheiro e, em 2003, houve um aumento na procura pelo crédito, já que o juros no setor chegou a 1% ao ano, o menor em 50 anos nos EUA.
2005 foi o ano mais fervoroso no mercado imobiliário. Comprar imóveis era um dos melhores investimentos visto o aquecimento do mercado. Também nesta época, a prática de hipotecar, comum nos EUA, aumentou consideravelmente.
O problema maior começou quando essas empresas que hipotecavam, “descobriram” o subprime, um tipo de crédito para pessoas de baixa renda e com históricos de inadimplência. Como o risco neste tipo de negociação é mais alto, já que as garantias de recebimento são pequenas, os lucros que incidem nestes créditos são maiores. (Ex: Uma pessoa hipoteca sua casa por R$ 100 mil paga à hipotecária 100 parcelas de R$ 2mil. Lucro é de 100%.)
As hipotecárias passaram a vender esses títulos a bancos e fundos de pensão, alegando altos ganhos. A empresa que pagou R$ 100 mil ao proprieário do imóvel, repassa para os bancos por R$ 150 mil, mas o imóvel no fim vale agora R$ 200 mil. Um bom negócio se não fosse o risco final. Como as pessoas que aderiram a esse crédito eram de baixa renda e inadimplentes, elas passaram a não pagar as parcelas e o mercado começou a temer o “subprime”.
Um ano mais tarde, o valor dos imóveis atingiram seu ápice e começaram a cair. O FED passou a aumentar os juros, na tentativa de conter a inflação. Isso encareceu os créditos e naturalmente afastou os compradores. Com isso, aumentou consideravelmente o número de imóveis à venda, fazendo com que os valores destes imóveis despencassem e o número de inadimplentes aumentasse cada vez mais, pois com os juros mais altos as pessoas não conseguiam pagar suas dívidas.
Isso gerou um medo nas hipotecárias, que diminuíram o crédito e acabou desacelerando fortemente o ritmo de crescimento da economia americana. Com menos crédito, menor o poder de compra e pouco dinheiro passou a circular no mercado, gerando um problema de liquidez.
Os efeitos desta crise começaram a surgir em 2007, quando o banco francês BNP Paribas anunciou que uma de suas divisões - BNP Paribas Investment Partners - congelou cerca de 2 bilhões de euros em fundos, prevendo problemas com os títulos “subprime”.
"A completa evaporação de liquidez em certos segmentos do mercado de securitização tornou impossível avaliar certos ativos apesar de sua qualidade ou de sua classificação de risco", informou o BNP, em um comunicado.
Os fundos suspensos foram o Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia. "A situação é tal que não é mais possível avaliar com precisão os ativos do ABS nos EUA nos três fundos mencionados", e com isso "não é possível calcular um valor líquido de ativos confiável para os fundos", diz o comunicado do banco.
Com essa medida o mercado imobiliário entrou em pânico. A American Home Mortgage (AHM), uma das maiores empresas hipotecárias dos EUA, pediu concordata e se o Bank of America não comprasse a Countrywide Financial, outra grande empresa do setor, também teria quebrado.
Já as empresas Fannie Mae e Freddie Mac, que eram detentoras da metade dos 12 trilhões em empréstimos para moradia nos EUA, recebeu uma ajuda de U$ 200 bilhões para não falir.
Esta mesma sorte não teve o banco Lehman Brothers que, sem ajuda, acabou pedindo concordata. E foi a partir desta falência que estourou a crise. Como o governo americano não injetou dinheiro para evitar esta quebra, os investidores estrangeiros passaram a desconfiar do crescimento americano. Sendo a economia dos EUA movida pelo consumismo, o mercado se tornou instável. Quase ninguém gastava e poucos investiam.
A crise foi se alastrando. Grande parte da produção americana é feita fora dos EUA, com isso vários países acabaram sendo afetados. Alguns mais, outros menos. A grande verdade é que o desaquecimento da economia americana afeta a todos.
Os EUA está enfrentando uma recessão. Principal prova está nas demissões. Somente este ano, quase dois milhões de americanos perderam o emprego.  
O governo está injetando bilhões de dólares na economia para ver se consegue reanimar o mercado. Mas tudo leva a crer que a recessão, conseqüência da crise,  pode se tornar a pior dos últimos 70 anos.
A crise no setor imobiliário acabou criando um verdadeiro efeito dominó. Vários setores foram e continuam sendo afetados.(Kristina Gomes)

Norton Sussuarana

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